Cinomose: única chance é a vacina.
Gostaria de escrever mais sobre esta doença porque sem medo de errar, ela faz parte de um histórico triste para mim como profissional e creio que para grande parte de meus colegas clínicos de pequenos animais.
A trajetória dos sintomas então, pode ter início logo nos primeiros meses de vida, quando o cão não possui proteção específica. Já a contaminação se dá pelo contato direto com outro cão contaminado, ou por compartilhamento de utensílios, camas e brinquedos. No ambiente, o vírus da cinomose não é resistente, por isso, com práticas básicas de higiene com desinfetantes, elimina-se o agente.
Creio que o fator determinante para a contaminação é o não isolamento do animal e o atraso da vacinação. Por isso, impedir o contato com o agente e iniciar a proteção específica com a vacinação são práticas fundamentais.
Normalmente a primeira manifestação no cão são as mioclonias. Estas são contrações involuntárias que percebemos em um ou mais membros. As contrações aumentam de intensidade com perda de equilíbrio e capacidade de andar. Nessa fase, o proprietário pode ou não relatar eventos de convulsão. Em meu protocolo, foco em aplicações de soro de anticorpos com objetivo de frear a progressão viral.
Nesse conteúdo, meu objetivo é passar informações de aspectos gerais e básicos para os criadores, reforçando o que já receberam de explicações de seus veterinários ou de experiências que já tiveram no passado. Vejo então que é desnecessário citar informações mais técnicas de laboratório e da fisiologia, para não deixar a leitura muito monótona.
Interessante relatar que o animal pode estar com bom apetite, mantendo-se com satisfatório estado físico e atento aos estímulos do ambiente. Contudo a progressão dos sintomas é notória e o quadro vai se deteriorando. Por último, concluindo os sintomas neurológicos e progressivos, somando-se às contrações e perda de equilíbrio, teremos as vocalizações noturnas. Chegamos então no limite que proprietário, cão e veterinário suportam dessa manifestação clínica tão violenta que é a cinomose. Essas vocalizações não traduzem necessariamente reflexo de dor, mas para o proprietário é sofrimento que seu animal está passando.
O emocional está bastante abalado e é nesse momento que consideramos a eutanásia como um desfecho mais apropriado, tanto por não termos prognóstico favorável e também por termos que interromper um sofrimento que tanto animal como proprietário estão passando.
Acredito que passar informações para quem não teve contato com a doença ou reforçar esses aspectos já vividos por outras pessoas, são interessantes e mais importante que isso, é realçar a competência apresentada pela vacina e estimular sua aplicação correta. Isso define que seu animal não desenvolverá a doença.
Boa sorte e ficamos em contato!
Sandro Ferraracio. crmv-sp 9777 Atendimento em casa. Ampla região a partir do bairro do Paraíso. Acompanhamento dos cuidados iniciais até geriatria. Vacinas e comportamento animal.
