Pensando no assunto, para escrever algo que possa acrescentar informação a vocês, procurei relembrar as experiências concretas que tive, atendendo nos consultórios até hoje e nesse período de oito anos do serviço em domicílio.
O que é evidente cientificamente e confirmo na frequência de casos que atendi: a luxação patelar está fortemente associada às raças de pequeno porte e toys. De imediato digo que o problema é enfrentado em menor número hoje em dia, pela preferência dos tutores a raças menos predispostas.
Vamos então, antes de mais nada, falar do que se trata para aqueles que nunca ouviram falar.
A patela, estrutura óssea que compõe a articulação do joelho, a parte mais evidente, desliza sobre a cartilagem da extremidade ou cabeça do fêmur . Nesta cartilagem ela se fixa em um sulco(tecnicamente chamada tróclea), com a ajuda dos ligamentos, que fazem sua estabilização. Qualquer alteração anatômica tanto na tróclea como nos ligamentos, alterando essa estabilização, são fatores que predispõem à ocorrência da luxação, ou seja, seu deslocamento.
A maior incidência desse deslocamento é para a face interna ou medial do membro. E o quanto ela se desloca e com qual frequência, dará o grau; a gravidade da luxação.
Vetmétodo Diagnóstico.
Esta então, pode variar de grau I a IV. O deslocamento para a face lateral é menos frequente e está associada a acidentes e em raças de maior porte.
Lembro ainda, que na rotina de consultório, convivia além dos vira-latas, predominantemente com Poodles e Pinschers dentre as raças de pequeno porte e toys. Posteriormente os Yorkshires, Malteses e Schnauzers, passaram para a maioria e que eventualmente poderiam apresentar a luxação de patela. Depois, nessa linha do tempo, apareceram os Lhasa-Apso; Shih-tzus e Pugs, já determinando diminuição na frequência de casos. Hoje , com os Border Collies, num porte um tanto mais avantajado e os Buldog franceses, confesso que não vi manifestação da luxação patelar ainda. Com isso quero mostrar que a carga genética das raças de menor porte, determina a maior predisposição.
Na questão da gravidade, foram poucos os casos que tive que encaminhar à cirurgia. Casos em que a dor e a manqueira(claudicação) eram bastante evidentes. Na maior parte dos casos, o animal vinha ao consultório com outras queixas , ou até mesmo apenas para controle vacinal e ao realizar o exame físico, detectava a movimentação patelar. E o que diferencia os diferentes graus?
Havia animais que percebia a patela no lugar correto, mas que ao manipulá-la, ela saía do seu eixo e voltava. Sem dor ao animal. Outros animais apresentavam dor ao fazer esse movimento e outro ainda a patela não voltava ao lugar com facilidade. No pior cenário, a patela estava permanentemente fora do seu eixo, apesar de não conferir dor.
Perguntava então ao tutor se o animal reclamava. Algumas vezes havia queixa e em outros casos não.
Após identificar a gravidade, decidia pelo tratamento, que na maioria das vezes era conservador, ou seja, medicação paliativa para dor e inflamação conforme a queixa do animal e suplementos à base de condroitina, para melhorar o ambiente articular. Este último com uso contínuo.
A correção cirúrgica é bastante eficaz, onde em linhas gerais, o procedimento tenta melhorar a estabilidade da patela, tanto aumentando o sulco ou tróclea onde ela desliza, como realizando uma maior fixação dela com os ligamentos e cápsula articular.
O grande desafio posterior é o repouso, bastante difícil para uma raça toy ou pequena. A dica sempre é o de apelar a um certo confinamento. A fisioterapia hoje em dia está bastante avançada, com clínicas bastante adaptadas, que ajudam na retomada da articulação ao seu funcionamento normal.
Caso você tenha alguma história com essa patologia e queira relatar, utilize o espaço de comentário abaixo!!!
Estamos em contato!
Felicidades!!
Sandro Ferraracio. CRMV-SP 9777.Atendimento domiciliar em ampla região a partir do bairro do Paraíso. Acompanhamento dos cuidados iniciais até a geriatria. Vacinas e comportamento animal.

2 replies on “LUXAÇÃO DE PATELA EM CÃES”
Meu border collie de 11 meses fez uma luxaçao de patela na pata traseira direita. Amanha fara os raios X e coleta de sangue p cirurgia a semana q vem. Tenho lido q este problema é comum nas raças pequenas. Estou sem entender o por que num border q é um cao forte para pastoreio.
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Olá Denise! Desculpe pois deixei passar seu comentário há quase dois meses. Acho que é uma falha ou impossibilidade de contactarmos todos os caminhos que as pessoas fazem contato. Nesta via do site, confesso que não checo com frequência. Primeiro queria saber como passou seu cão após a cirurgia. Espero que ele já esteja totalmente recuperado e forte na sua articulação. Depois sobre o porquê, só posso pensar numa pré-disposição do indivíduo. Ainda não verifiquei algo particular desta raça. Realmente as raças de menor porte e as toies são mais pré-dispostas. Mas tenho convicção que o procedimento foi bem sucedido e que a patela tenha sofrido a fixação ideal e que ele esteja bem confortá vel e fazendo todas as atividades. Caso queira, faça contato via telefone!(11) 99857-3087 com o whatsapp. Boa sorte e felicidades!
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