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DERMATITE ATÓPICA

Olá amigos, este assunto trata de um problema muito complexo. Isso porque quando o paciente vem a nós, ou vamos a ele, como faço em meu trabalho de atendimento domiciliar, a realidade já pode estar bem difícil. Alguns tratamentos e consultas já podem ter acontecido e o tutor do animal já antecipa uma série de tratamentos e manejos realizados, que não levaram a resultado consistente. É triste pois sabemos que alguns animais sofrem com a coceira constante e seu tutor está em alto stress.

Minha conduta é tomar frente ao que já se passou e fazer o cliente entender o tamanho do problema que estamos enfrentando.

A dermatite atópica se configura por um defeito estrutural da pele, que permite a passagem de agentes irritantes, que levam à resposta inflamatória do paciente. Esta resposta tem por consequência coceira, vermelhidão, sensibilidade e dor nos casos complicados. E se o problema é estrutural, será permanente, fazendo entender que será uma doença CRÔNICA.

Sendo crônica, não haverá cura; sendo crônica, nossa papel será manter o paciente, na melhor situação possível dentro dos sintomas.

Primeiro passo: sanear as possíveis infecções secundárias por bactérias e fungos. O nível dessa infecção secundária, vai exigir definirmos se o tratamento será tópico apenas, com banhos associados a sprays ou mousses com antissépticos, ou se teremos que expor o paciente a antibióticos sistêmicos, por via oral.

A localização das feridas, nos possibilita realizar o chamado diagnóstico diferencial. Caso o paciente estiver sofrendo de alergia a pulgas ou carrapatos, seu dorso estará atingido pelas coceiras, principalmente a região próxima à calda. Além de podermos observar a possível infestação por pulgas e outros desafios, como o local de habitação e presença de outros animais.

Na dermatite atópica, as feridas estarão em região ventral: barriga, virilias, além das axilas, região do ânus e a cabeça. Otites recorrentes são relatadas. Bastante característico é a lambedura de patas, podendo levar à inflamação interdigital.

Esses aspectos sintomatológicos estão presentes na dermatite atópica. Quanto à idade, prevalece em animais jovens, que assim que estruturam sua capacidade imunológica, começam a responder aos estímulos dos alergenos.

Para dar mais um “tempero” a esse quadro já complicado, pode haver associação com alergia às proteínas alimentares. Mas elas não predominam. A causa do problema quase em sua totalidade, está ligada ao aspecto mencionado: a permeabilidade a agentes agressores oferecida pela epiderme.

Após avaliarmos os primeiros resultados com os tratamentos tópicos e ou sistêmicos, podemos utilizar as drogas que irão controlar a resposta inflamatória: os imunomoduladores. Não temos muitas opções, mas novas drogas, ou drogas já conhecidas em novas manipulações, estão surgindo. Alguns protocolos, envolvem estas novas drogas com corticóides, estes por tempo determinado em função de seus efeitos colaterais; sempre fazendo-nos entender qual resultado melhor poderemos alcançar.

É um trabalho grande, onde vejo o entendimento da gravidade por parte do tutor, como um ponto vital. Isso virá, muitas das vezes, a determinar o sucesso do tratamento.

Caso você já tenha enfrentado esta realidade da dermatite atópica, sabe do grande desafio para todas as partes envolvidas.

Sandro Ferraracio. CRMV-SP 9777.Atendimento domiciliar em ampla região a partir do bairro do Paraíso. Acompanhamento dos cuidados iniciais até a geriatria. Vacinas e comportamento animal.