ALERGIA EM CÃO E GATO

 

            Penso que após os problemas gastroentéricos e de inflamação dos ouvidos, as alergias com os consequentes problemas dermatológicos, são o que de mais rotineiro encontramos no dia a dia da clínica veterinária.

Enquanto a coceira não resulta em lesão dermatológica secundária importante, infelizmente a maioria dos proprietários não nos procura para tratarmos das causas primárias. O primeiro contato então com o animal alérgico é geralmente, para tratarmos de alguma ferida, de otite, de perda de pelos focal, patas ou dedos edemaciados(inchados) de tanto que são lambidos(vide foto acima…)

O desafio é amenizar o quadro clínico e ao mesmo tempo passarmos toda ideia da origem(etiologia) da doença; as falhas de manejo desde o simples controle de pulgas, até a sensibilidade alimentar. Claro que ao identificar o histórico de alergia e estando o proprietário ansioso por amenizar todos os sintomas, nos valemos de medicações que suprimem, mas não curam a reação alérgica, que são basicamente os corticoides. A partir disto, procuro abordar as causas e a sanear e qualificar a rotina do animal. Há animais que recebem quantidades importantes de guloseimas por exemplo; que vivem com outros animais e por isso, o controle de pulgas é difícil e às vezes nem existe e também são raros os momentos de higiene. Todos estes manejos demandam atenção e certo investimento.

A principal orientação neste caso é sobre o entendimento do prognóstico. Ou seja, até quanto podemos melhorar a reação alérgica sem a utilização sistemática dos corticoides. Estes, induzem a efeitos secundários bastante importantes no organismo. Isto significa até estarmos diminuindo a expectativa de vida do animal.

Passando este meu ponto de vista ao proprietário, trabalhamos todo o manejo para diminuirmos tudo o que pode provocar alergia e assim manter o animal com o menor nível possível de coceira e com saúde.

CONTROLE DE ECTOPARASITAS(pulgas, carrapatos e ácaros.)

Há animais que não demonstram pela coceira, as picadas que levam das pulgas. Ou seja, o animal não possui reação alérgica importante e o padrão de coceira não incomoda o proprietário. Desta forma não percebe a necessidade da utilização dos produtos que previnem a infestação desses parasitas. Por outro lado, há os animais que a partir de poucas picadas, mantêm um forte padrão de coceira, com perda de pelos em diversas regiões, como dorso junto à inserção da cauda, flancos, pescoço e ventre. Feridas em maior ou menor gravidade podem estar presentes. Outro sintoma importante e frequente é a lambedura das patas. Sinal presente em várias formas de manifestação alérgica.

Visto isto, o manejo preventivo da infestação das pulgas é fundamental para começarmos a superar a coceira. O quadro mais difícil é com a resistência do proprietário em fazer o controle, uma vez que não percebe a presença do parasita. Tanto no animal como na residência. Desta forma, ficamos sem este passo importantíssimo no combate ao quadro alérgico.

Há residências que realmente têm baixa presença do inseto e também ao examinar o animal, não observo pulgas, o que não isenta do controle preventivo. Este controle deve ser feito no animal, através dos produtos a serem aplicados mensalmente na pele, pelos atuais comprimidos que se propõem  a manter o controle por 30 a 90 dias e ainda a forma mais econômica que são as coleiras antipulgas.

Além destas formas diretamente no animal, o ambiente deve ser higienizado e receber inseticidas para combatermos ovos e larvas presentes em frestas de pisos, carpetes e nas camas e casinha dos animais.cachorro-se-cocando

Quando entramos em períodos de calor mais intenso e frequente, o problema se agrava, pois os casulos(pupas) presentes no ambiente, eclodem, infestando o lugar de novos insetos e iniciando um novo ciclo.

ALIMENTAÇÃO COMO FONTE DE ALERGIA

O entendimento dos alimentos como fonte de alergia normalmente ocorre a partir da digestão das proteínas. Quanto mais complexas, maior a chance de gerar reação adversa pelo organismo. Desta forma, procura-se substituir as proteínas de carne animal(bovina e aves) por soja, ovo e leite. Contudo o grande limitador do uso dessas rações está em seu custo final. Procuramos então, induzir o uso do melhor produto, dentro do que for viável no orçamento familiar. Mas é claro que antes de melhorarmos o padrão da ração, devemos eliminar todo tipo de alimento que esteja potencializando a reação alérgica, como alimentos de nossa dieta e outros petiscos pets industrializados. Oriento até mesmo no lugar destes últimos, oferecer frutas e legumes para premiar o animal.

HIGIENE

 Em todos os aspectos do manejo, devemos buscar o equilíbrio. Entendo que a grande frequência dos banhos pode dificultar o controle dos ectoparasitas, pela retirada dos produtos que combatem as pulgas e pela maior exposição a elas nos petshops. Os banhos raros possibilitam acúmulo de sujidades e ácaros na pelagem, levando também ao aumento da coceira.

Oriento então escovações frequentes com a retirada da poeira e ácaros, além dos banhos a cada sete ou quinze dias. Havendo escovações frequentes e ambiente limpo, esse intervalo pode ser maior. Não vejo essencial o uso de xampus específicos antialérgicos. Produtos comerciais e no máximo o uso dos hidratantes em spray, podem ser atitude bem interessante para deter coceiras mais específicas. Claro que os casos de seborreia seca ou oleosa merecem atenção em outro tema.

Animais expostos a ambientes mais desafiadores merecem maior atenção como os que  vivem em grupos em quintais e que frequentam parques, praias e sítios.

Mãos a obra e boa sorte!!

Sandro Ferraracio. crmv-sp 9777
Atendimento domiciliar em ampla região a partir do bairro do Paraíso.
Acompanhamento dos cuidados inicias até geriatria.
Vacinas e comportamento animal.