
Boa morte. Este é o propósito da eutanásia.
Mas o grande conteúdo desse tema está na tomada de decisão. Vêm então, momentos antes da realização deste procedimento que na minha experiência na clínica veterinária, são os mais complexos que podemos encontrar profissionalmente.
Primeiramente e intimamente, usando de toda nossa clareza técnica, tento definir se em determinado caso, chegamos ao fim de todas as tentativas clínicas e o prognóstico ficou o mais sombrio possível. Ou seja, não existe mais possibilidade de reversão do quadro clínico e o animal está em sofrimento. Então, colocamos a situação ao tutor. E isso deve ser feito com a maior sensibilidade possível. Imediatamente saberemos se a eutanásia está em consideração pelo tutor ou não. Caso sim prosseguimos, e caso não, passamos a acompanhar para oferecer a melhor qualidade de vida possível ao animal. Há tutores que não consideram, em hipótese alguma, a eutanásia.
Mas existe o lado reverso. No qual, pelo entendimento do tutor, não há mais condições de se prolongar a situação, mas na minha visão, clinicamente, podemos conduzir e justificar determinado tratamento. Entendo que neste momento, como se faz em todas as conduções terapêuticas, o tutor tem total direito de consultar outro profissional, e colocar a situação e confrontar as opiniões. Caso o outro colega consultado, defina que já é uma situação para a eutanásia, a situação está inteiramente nas mãos do tutor.
No julgamento do Médico Veterinário para indicação da eutanásia, o aspecto econômico deve ser o último numa escala de prioridades e, jamais, deve-se realizar a eutanásia como forma de atender a uma necessidade do proprietário, como por exemplo, a convivência com as limitações impostas pela idade avançada do animal.( GUIA BRASILEIRO DE BOAS PRÁTICAS PARA EUTANÁSIA EM ANIMAIS.CFMV. 2013)
Esta determinação do Conselho Federal de Medicina Veterinária vem sem dúvida, tentar posicionar a visão do profissional ao qual é solicitado o procedimento da eutanásia. Muitas são as realidades, muitas são as circunstâncias que as famílias passam com seus animais e sem dúvida momentos difíceis de convivência ocorrem; a partir da perda da consciência, da coordenação e dificuldades variadas na rotina dos cães e gatos.
Nas últimas décadas, a medicina veterinária se adequou para oferecer tantos recursos e formas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças agudas e crônicas, que foram minimizadas as situações que levam a se lançar mão da eutanásia. Quero dizer que hoje os tutores conduzem os tratamentos até a cura esperada, e quando não, o óbito ocorre com o paciente fora de sofrimento.
Esta condição leva as famílias ao convívio cada vez mais frequente, com animais em fase senil e que portanto, demandam cuidados e entendimento dessa fase da vida. O fato do animal urinar na cama, cair com mais frequência ou ser mais prostrado, não significa que está em sofrimento e que precise ser eutanasiado. Pelo contrário. A família deve oferecer mais atenção e carinho.
Entendendo essa condição, coloco ao tutor que, o limite da convivência com a senilidade, está na impossibilidade de se erguer, de se alimentar com autonomia e na presença de dor ou inquietação. Quando não permite que o animal durma com qualidade e interaja com a família. Quando se identificam esses parâmetros, aceito a eutanásia.
Enfim, em qualquer uma das situações, a relação entre clínico, tutor e animal são ponderadas para se clarear na mais coerente solução.
Abraço.
Sandro Ferraracio. crmv-sp 9777 Atendimento domiciliar em ampla região a partir do bairro do Paraíso. Acompanhamento dos cuidados inicias até geriatria. Vacinas e comportamento animal.
