PIODERMITE EM CÃES E GATOS.
Atualmente realizo curso de atualização em dermatologia, Dermatoclinvet, pelo Atualiza Vet, recomendo a todos os colegas.
Imediatamente, vejo a necessidade de repassar informações aos tutores, mas também é necessário adaptar e compilar. Acredito que esses materiais que alimentamos o site e as redes sociais, devam servir de curiosidades e claro informações valiosas, mas nunca levando o leigo a compor conclusão sobre os assuntos e pior ainda, deixar de consultar o profissional de sua confiança.
Sobre infecções da pele, é muito interessante sabermos que elas podem acontecer de fora para dentro, com um novo agente contaminante, penetrando as barreiras de proteção da pele; ou por outra forma, algum desequilíbrio na saúde do animal, que leve a alguns dos habitantes naturais da pele como bactérias, leveduras ou ácaros a se multiplicarem, iniciando invasão e quadro inflamatório.
Esta inflamação como sabemos, tem as características conhecidas de vermelidão, calor, edema, dor e coceira. Esta última nem sempre está presente, mas quando sim, resulta em evidência do quadro, com mudança do comportamento do animal e complicações da lesão. Sabemos que essas características podem surgir de um dia para outro. Havendo coceira, tanto cão como gato, passam longos períodos se lambendo e mordendo, causando o que chamamos de dermatite úmida aguda, com todos os aspectos que citamos: vermelidão, edema, perda ou não de pêlos e descamação. A presença do pus, o que vai caracterizar exatamente a piodermite, significa que o processo já está mais adiantado, talvez dias. E quando falo em pus, não me refiro exclusivamente àquela coleção enorme que formam os abcessos, mas às crostas amarelas que ficam aderidas aos pêlos. A ferida apenas úmida, significa início do processo.
Quanto ao agente que provocou, temos bactérias, fungos e ectoparasitas, como pulgas, carrapatos e ácaros. Estes últimos causadores das sarnas. Outra causa que podemos ter estímulo de lambedura, são as dores pontuais, quando o animal lambe instintivamente, cuidando do local. Devemos então incluir na pesquisa a possibilidade de lesão ortopédica.
O diagnóstico é fundamental. O tutor, por sua ansiedade, aliás que todos temos, quer sair do atendimento com uma provável causa, diagnóstico quase fechado e tratamento imediato. Isso pode levar a erros. Caso não pesquisemos as possibilidades, através do que se identifica como triagem dermatológica, quando investigamos os agentes que estão atuando no local, levaremos o tutor a gastos maiores e frustração por um tratamento impreciso a partir de diagnóstico não concluído.
Na dermatologia, tanto recebemos pacientes de outros colegas, como também nossos clientes recorrem a outro profissional, por na verdade, não chegarem a um entendimento claro, tanto do diagnóstico, como do tratamento proposto. Envolvendo sua duração e intensidade. Sem falar nas dificuldades exigidas por um animal que se mostra agressivo ou simplesmente agitado.
A estratégia do tratamento e o o tipo de medicamento utilizado, vão ser definidos a partir da gravidade e extensão das feridas. Estas, sendo pontuais e estando no início ou superficiais, podem ser controladas com antissépticos. As formas mais generalizadas exigem provavelmente estratégia que envolvam banhos e caso tenham gravidade maior, com lesões mais complicadas e contaminadas, pedirão associação de um tratamento sistêmico, com utilização de antibióticos e ou antimicóticos. Para todas essas conclusões, os exames de análise laboratorial são necessários.
Portanto vejo que, a investigação, com diagnóstico claro e eficiência do tratamento, são pilares de qualquer clínica, mas se expressam com grande evidência na dermatologia. Vamos tratar nos materiais seguintes, de algumas situações mais concretas.
Abraço e boa sorte!!
Sandro Ferraracio. CRMV-SP 9777.Atendimento domiciliar em ampla região a partir do bairro do Paraíso. Acompanhamento dos cuidados iniciais até a geriatria. Vacinas e comportamento animal.
MALASSEZIOSE
O fungo Malassezia, especificamente uma levedura, habita de forma natural nossa pele sem realizar ação patogênica sobre ela. Ao ocorrer algum estado anormal chamado de disbiose nas estruturas da epiderme, esse agente passa a se multiplicar pois algo favoreceu a isso, e a instalar agravamento do quadro que na verdade causou a primeira situação: a disbiose. Esse termo é recente, que quer descrever distúrbio das células que conviviam em harmonia.Quer seja por contaminação por outro agente, por exemplo uma bactéria; quer seja por situações de mudança desse micro ambiente por umidade, ressecamento ou ferimento, a disbiose instalada, favorecerá à multiplicação de agentes como a malessezia que estão em equilíbrio com a pele.

foto: reprodução shuttherstock
Por sua vez a malassezia faz uso; alimenta-se da gordura existente na pele. Isso definirá um dos primeiros sintomas que é a ransificação, causando odor característico.
A malassezia não se infiltra no folículo piloso, o que não leva à queda de pêlos quando em infecção isolada. A complicação secundária por bactérias é que pode levar a lesões alopécicas. Por outro lado, normalmente manifesta coceira e vermelhidão. O diagnóstico requer a pesquisa citológica e ou a cultura. Nesse diagnóstico vai se pesquisar a causa primária, por exemplo a presença de bactérias. Essa presença sim causa quadro mais danoso, com perda de estruturas, queda de pêlos e estado inflamatório. Quadros crônicos levarão ao enegrecimento da pele e hiperqueratose. Esta se define pela multiplicação da camada córnea como reflexo da agressão dada pela coceira. Esse quadro pode configurar complicações por infecçoes secundárias.O tratamento pode ser simples se iniciado aos primeiros sintomas, utilizando-se até de antissépticos bem competentes hoje em dia como o clorexidine, antes mesmo de antimicóticos mais específicos como o miconazol ou itraconazol. Tópicos ou sistêmicos.
Sandro Ferraracio. CRMV-SP 9777. Atendimento domiciliar em ampla região a partir dos bairros do Paraíso, Vila Mariana, Bela Vista, Ibirapuera e Cerqueira Cezar; estendendo a outros mais distantes como Jabaquara e Lapa. Acompanhamento dos cuidados iniciais até a geriatria. Vacinas e comportamento animal.
